quarta-feira, 1 de agosto de 2012

GÊNESE "No Inicio"


No inicio era apenas uma mata. Densa, sombria, cobrindo com o seu manto a terra fértil.
Era uma Mata de arvores centenárias, com copas frondosas que se entrelaçavam no alto.
Por entre suas galhadas filtravam tímidos raios de sol. Miríades de flores multicoloridas desciam os cipós e atapetavam o solo.
Ao nascer do sol, o canto estridente da araponga colocava a mata em uma enorme agitação.
Um sem números de pássaros habitavam jabuticabeiras do mato carregadas de frutos que os alimentavam, assim como os pequenos animais.
Bandos de pequenos macacos brincavam despreocupados e os mais diversos tipos de animais circulavam, em plena liberdade, por entre as árvores: pacas, onças, veados, capivaras e dentre outros animais...
Pequeno rio de águas frescas e cristalinas corria sobre os seixos. Era ali que os habitantes dessa mata saciavam a sede ou pescavam seus alimentos.
Com o entardecer, o som alucinante do canto dos pássaros dava adeus ao sol que avermelhava o grande horizonte. E como era doce a chegada da noite... No firmamento, milhões de luzeiros: a paz era total.
De repente... Um som diferente reboava diferente na mata.
O bando de macacos barulhentos se cala. Fica no ar o grito da araponga. A pequena corça estaca seus passos, levanta a cabeça e sente o ar o cheiro estranho do Homem...
Muito devagar, passos decididos se aproximam.
Vozes, barulhos de machados, galhos sendo arrancados, arvores sendo derrubadas.
Vindos de lugares distantes, com a grande esperança de dias melhores, com vontade férrea de trabalhar e construir seus lares chegava nesta terra os pioneiros. Chegou para plantar, colher, conviver com animais, construir seus lares e de seus filhos, na mesma terra onde os índios guaranis já haviam habitado, sendo que alguns ainda permaneciam aqui.
O pequeno rio de águas cristalinas já havia recebido dos guaranis o nome de NAVIRAÍ.
E assim ficou sendo chamada gleba de Naviraí.
Isto ocorreu no inicio dos anos de 1950. 
(foto: inicio das derrubadas  para a construção de casas)

Fonte: Livro Ensaios para uma História

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